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O puzzle coletivo define o ser humano na sua globalidade.

 

Uma sociedade multicultural, criadora de conhecimento, com capacidade reflexiva e integradora de diversidade, é uma sociedade em constante evolução e enriquecimento.

  

Todos os fins de ano convidam à reflexão, especialmente, quando os anos são difíceis. O ano que está a terminar, trouxe ao nosso mundo, cenários e desafios que não estavam no nosso horizonte. Ficámos incrédulos com um cenário de guerra na Europa, situação inconcebível, particularmente, depois de termos travado uma guerra com um inimigo à escala mundial, invisível e quase imprevisível. O que nos tinha dado uma esperança de união e de cooperação entre os povos, desmoronou-se, quando, à nossa porta, estalou a guerra na Ucrânia. Por outro lado, fez-nos relembrar o facto de existirem tantas outras guerras, em países mais longínquos e “diferentes” culturalmente. Não lhes demos a devida importância. Não nos solidarizamos, da mesma forma. Não nos batia tanto à porta. Afinal, o mundo global, aparenta não ser tão global assim.

 

Acredito que esta circunstância de guerra, possa ter contribuído para avivar, novamente, uma memória coletiva de solidariedade, de cooperação, de integração e de respeito pela diferença. Quero, vivamente, acreditar que assim é. Da mesma forma que acredito que a diferença e a diversidade entre as pessoas e entre os povos, são fatores determinantes de enriquecimento e de evolução mútua. O caldeirão cultural em que vivemos, deve ser visto, em todas as circunstâncias, como algo que nos alarga horizontes e que nos faz ser melhores, em todas as nossas dimensões, pessoal, social, profissional e, desta forma, melhores cidadãos do mundo. A interação entre culturas, do meu ponto de vista, deve ser promotora de uma cultura de paz. O multiculturalismo, onde diversas culturas coexistem, num mesmo meio ambiente, ao mesmo nível, sem se misturarem, é fonte de riqueza. A cultura, por si só e de forma ampla, está relacionada com a identidade de um grupo de pessoas, com a criação de conhecimento e com o exercício do pensamento. Estes são valores essenciais na evolução de uma sociedade, definida como tal, criando plataformas comuns de entendimento. Este “entendimento” entre pessoas, povos e sociedades deve ser fonte de abertura e de latitude, evitando-se a tentação de uma visão mais conservadora de construção de uma cultura comum. O que faz sentido nos dias de hoje é a promoção da interação entre culturas, favorecendo o seu convívio, sustentado por princípios de compreensão, aceitação e de respeito pelas diferenças, numa perspetiva de enriquecimento mútuo.

 

 

No CECOA temos procurado contribuir para este enriquecimento coletivo. Entendemos que a promoção do conhecimento e da qualificação é uma das pedras angulares numa sociedade multicultural pacificada, integradora, cooperante e em constante evolução (positiva). Através da formação profissional, temos contribuído para o ensino da nossa Língua a quem, por vontade própria ou por motivos de força maior, escolheu ser acolhido pelo nosso país. Através da formação profissional, conseguimos promover “casamentos felizes” entre as qualificações de origem e as necessidades do mercado de trabalho. Ainda neste contexto, temos promovido ações de formação às empresas e aos ativos (de origem variada) que necessitam de, continuamente, melhorar as suas qualificações. É com muita satisfação que verificamos que o fator “diferença” é cada vez mais trabalhado, procurado e visto como uma mais-valia. Parece-nos que, cada vez mais, o talento individual é valorizado, independentemente da sua origem. Penso que estamos de acordo quando dizemos que, para cumprir tarefas, procedimentos e instruções, não há pessoas insubstituíveis. Estaremos igualmente de acordo ao afirmar que o talento individual, as capacidades específicas e o valor acrescentado que cada pessoa traz a uma organização, esses sim, são insubstituíveis. São únicos e diferentes. A identidade organizacional encontra-se nesta diferenciação. É o conjunto de apports individuais que criam uma organização multifacetada, adaptada e rapidamente adaptável aos diversos contextos, mais ou menos adversos. Se fizermos uma comparação macro, uma sociedade capaz de acolher as diferenças individuais e culturais, é uma sociedade também multifacetada, coesa e igualmente capaz de se adaptar a contextos adversos. É a diferença que faz evoluir, não há volta a dar. É o acréscimo de pontos de vista e o alargamento de horizontes que fazem com que se encontrem novas formas de encarar a vida, em todas as suas dimensões. É a conjugação de conhecimentos parciais que torna o conhecimento uno. É a feliz conjugação das partes que constitui o todo. Quer se queira ou não, este todo, é o mundo global onde vivemos. É cada vez mais necessário que esta globalidade não seja um conceito abstrato que paira sobre as nossas cabeças. É necessário que seja vivido no concreto, com os pés bem assentes no chão. E todos, de uma forma ou de outra, podemos viver a globalidade multicultural, o melhor que nos for possível. O primeiro passo é o acolher da diferença. Olhá-la com olhos limpos e com a crença de que é boa em si própria. Um outro passo, será o de procurar conhecimento. É muito difícil compreender-se e acolher-se o que não se conhece. E a ignorância costuma ser a mãe de muitos males. Nomeadamente o do julgamento precipitado, o da rejeição e o do conflito. A busca de conhecimento é uma busca de integração. Quando aprendemos algo novo, vamos integrar e incluir essa aprendizagem no nosso património de conhecimento anterior. O que acontece à dimensão de cada pessoa, normalmente, carateriza muito bem, o que acontece em termos de sociedade. É apenas uma questão de escala. Um terceiro passo, começa, do meu ponto de vista, no nosso próprio umbigo e no nosso ninho, seja ele qual for - pessoal, profissional ou outro. Acolher as suas próprias diferenças e idiossincrasias é meio caminho andado para se acolher e respeitar as dos outros, começando na sua própria casa, com a família e no seu local de trabalho, com os colegas, com as lideranças, com os fornecedores, com os clientes, etc. Se este exercício for efetuado ao nível micro, em círculo restrito, facilmente é extrapolado para os níveis macro, isto é, o social e o global.

 

Afinal, o acolhimento, a partilha e a dádiva pessoal, resumem rapidamente o que deve definir o espírito Natalício. Como também sabemos que o Natal é quando o Homem quiser, valeria a pena que todos os dias fossem de acolhimento e de aprendizagem. Particularmente com quem é diferente de nós. O que é igual a mim, traz muito pouca novidade, e eu não saio do sítio. Não aprendo nem evoluo. Apenas confirmo as minhas crenças pré-existentes. Uma paleta de cores que só tem preto e branco, não permite grande coisa. Uma paleta com todas as cores possíveis, permite a realização de pinturas e de obras estratosféricas! Já agora, a estratosfera encontra-se dentro de cada indivíduo e à volta da atmosfera planetária, com a mesma vastidão. Provavelmente, o melhor presente de Natal que cada um de nós pode receber é uma paleta multicolorida para poder realizar a sua própria pintura, que se conjuga com as pinturas de todos os outros. O melhor da história, é a parte em que não existem pinturas certas nem erradas, nem melhores nem piores, apenas diferentes. As pinturas são únicas, individuais e fundamentais na construção do puzzle coletivo que define o ser humano na sua globalidade. Que tal acolher esta ideia?

 

Boas Festas e um ano de 2023 cheio de cores novas!

Sílvia Coelho, Diretora Interina do CECOA





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